Bem vindos!

O objetivo deste blog é disseminar informações sobre o sistema brasileiro de Licitações e Contratos, entregando aos cidadãos a ferramenta necessária para compreender, debater e, principalmente, exercer a fiscalização e o controle desses processos.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

O caso das obras do Aeroporto de Cumbica

Certamente você tem ouvido falar das obras de reforma de um terminal no aeroporto de Guarulho, ou Cumbica, em SP. Ouviu falar que, primeiramente, a justiça suspendeu a execução, pois foi contratada sem licitação. A Infraero conseguiu cassar a liminar e retomar as obras. Agora, o TCU suspendeu os pagamentos à empreiteira. Para quem quiser maiores detalhes, acessem meu outro blog: http://gestaopublica-gabrielapercio.blogspot.com/, onde poderão encontrar postagens específicas sobre o tema.

Muito bem. O que significou tudo isso? A contratação realizada pela infraero foi "por emergência". A Lei de Licitações, nº 8.666/93, permite a contratação direta, sem licitação, em situações de urgência, com perigo de comprometimento de pessoas ou bens, públicos ou privados. Ou seja, naqueles casos em que realizar uma licitação não é possível, ou haverá estragos maiores do que os que se pretende evitar. No caso específico dessa contratação de reforma do terminal, não ficaram caracterizadas essas condições legais. Aliás, a reforma de outro terminal será devidamente licitada, o que torna realmente obscura a situação. A urgência, na verdade, está no fato de se tratar de uma obra para a Copa, argumento este que, implícita ou explicitamente, passará a ser utilizado em muitas outras contratações, sem surpresa alguma. Afinal de contas, qualquer desavisado sabe que já estamos no tempo de prorrogação...

O Tribunal de Contas da União tem sido bastante rigoroso com essas contratações por emergência fabricadas pela inércia dos agentes públicos. O dever de agir oportunamente, ou seja, na hora em que surge a necessidade, de planejar as ações administrativas, de incluir no orçamento a previsão da despesa e de programar as licitações para que ocorram em tempo suficiente é a todo momento destacado pelo referido órgão. Não são raras as vezes em que o TCU "passa um sabão", como se diz popularmente, em situações verdadeiramente vexatórias. Mas nem por isso, verificamos bons resultados. A Administração Pública é um ferramental extremamente complexo, composto por pessoas como nós, investidas de funções e poderes, com o objetivo de fazer tudo funcionar, única e exclusivamente visando atender "ao público". Nesse longo caminho, cheio de instâncias, papéis, autoridades, interesses, muita coisa se perde, inclusive a vergonha. Há muita gente (a grande maioria) com boa vontade e dedicação, verdadeiros "heróis da resistência" que  buscam fazer a coisa certa. Falta a sociedade, a maior interessada, levantar a voz por informação, clareza, transparência e prestação de contas. O que estamos esperando? 


2 comentários:

  1. Gabriela, parabens, seu blog ta muito interessante e estou aprendendo bastante. Tem coisas que e dificil entender, aqui na minha cidade, uma autarquia municipal adquiriu veiculos, caminhoes de uma empresa, onde os precos eram o dobro do preco de mercado. ano passado isso veio a tona, mas ja caiu nas gracas do esquecimento pelo povo. Nao sei se voce viu no fantastico a alguns meses atras, como e facil burlar as licitacoes em hospitais no Estado do Rio de Janeiro. E de dar nojo as negociatas e falcatruas entre os licitantes e administracao.
    Abracos.
    Claudio

    ResponderExcluir
  2. Cláudio, que bom que as informações estão ajudando! Não estou conseguindo, infelizmente, publicar com a frequência necessária, em razão do pouco tempo disponível, mas vou melhorando.

    As licitações no Brasil tem pontos vulneráveis, geralmente relacionados à corrupção de agentes públicos e de dirigentes de empresas privadas. Para os cidadãos, resta a informação, em dois sentidos: procurar entender o que é o certo e saber o que está acontecendo. Desse modo, será possível denunciar.

    A transparência, que é um princípio que rege os atos administrativos, vem sendo melhorada com o acesso a informações pela internet, como o portal www.transparência.gov.br e similares. Mas o problema é que a população em geral não sabe ou quem sabe não se importa, sem perceber que quem está pagando a propina, no final, é ela própria.

    Abs!



    ResponderExcluir